É carnaval!

11 02 2010

Desfile das Escolas de Samba

O Carnaval é hoje uma festa popular das mais conhecidas e difundidas pelo mundo, seja pelo status que alcançou no Brasil, com seus enormes desfiles, seja pela tradição em vários países europeus. Entretanto, é no Rio de Janeiro que a tradição se renova a cada ano, sendo considerada a capital mundial do carnaval. Seus desfiles são retransmitidos pelos canais de TV´s em todos os países do globo, tendo o “sambódromo” como palco dessa festa. Concebido em 1982, por Oscar Niemeyer, a Marquês de Sapucaí, carinhosamente apelidado de sambódromo pelo professor Darcy Ribeiro, foi inaugurado dois anos mais tarde, com capacidade para mais de 88 mil pessoas. Com 590 metros de comprimento, é sem dúvida a passarela mais conhecida e desejada das festas carnavalescas e a de maior representatividade do Brasil.

Imagem histórica

ORIGEM DO CARNAVAL

Por ser uma festa tradicional, transmitida de geração em geração há muitos séculos, é difícil precisar a origem exata dessa comemoração. É possível que suas raízes se encontrem em festivais primitivos, pagão, que homenageava o início do Ano Novo e o ressurgimento da natureza, recuando ainda mais para a Grécia arcaica, junto aos festejos que honravam a colheita.

Quem trouxe o carnaval para o Brasil foram os portugueses, por volta de 1750, em uma época em que a festividade ainda era conhecida como “Entrudo”, palavra que vem do latim e significa “entrada”, uma alusão à entrada (início) da quaresma no calendário religioso. Mais tarde surgiram as máscaras, as fantasias e as marchinhas. Em 1892 chegaram ao Brasil também a serpentina (de origem francesa) e o confete (de origem espanhola), que enfeitaram os bailes de salão.

Gravura alusiva ao Entrudo

Outros elementos tradicionais do carnaval são as fantasias, como as de Pierrô, Columbina, Arlequim e Rei Momo, existentes em abundância em bailes de salão. Entretanto, mesmo com todo o sucesso desses bailes, o Carnaval de Rua é cada vez mais procurado, especialmente no norte e nordeste do país, e ainda preserva parte do folclore brasileiro.

GRANDES PERSONAGENS DO CARNAVAL E DAS CANTIGAS

Pierrô, pintura de Picasso

Pierrô

Seu nome original era Pedrolino, mas foi batizado, na França do século XIX, como Pierrot e assim ganhou o mundo. O mais pobre dos personagens serviçais, vestia roupas feitas de sacos de farinha, tinha o rosto pintado de branco e não usava máscara. Vivia sofrendo e suspirando de amor pela Colombina. Por isso, era a vítima preferida das piadas em cena. Não foi à toa que sua atitude, sua vestimenta e sua maquiagem influenciaram todos os palhaços de circo.

Arlequim

Também servo de Pantaleão, Arlequim era um espertalhão preguiçoso e insolente, que tentava convencer a todos da sua ingenuidade e estupidez. Depois de entrar em cena saltitando, deslocava-se pelo palco com passos de dança e um grande repertório de movimentos acrobáticos. Debochado, adorava pregar peças nos outros personagens e depois usava sua agilidade para escapar das confusões criadas. Outra de suas marcas-registradas era a roupa de losangos.

Colombina

Criada de uma filha do patrão Pantaleão, mas tão bela e refinada quanto sua ama, Colombina era também o pivô de um triângulo amoroso que ficaria famoso no mundo todo – de um lado, o apaixonado Pierrô; do outro, o malandro Arlequim. Para despertar o amor desse último, a romântica serviçal cantava e dançava graciosamente nos espetáculos.

A FOLIA EM ECOS DO PASSADO

Alguns historiadores apontam que em 1641 foi realizado o primeiro carnaval brasileiro. A mando do então governador do Rio de Janeiro, Salvador Correa de Sá Benevides, foi determinado que se dedicasse uma semana de festa para homenagear a coroação de D. João IV, idéia bem aceita pelo povo. Animado por canções portuguesas no começo, logo o carnaval apresentava suas festas ao ritmo de polcas e também do carnaval italiano. Estima-se que por volta de 1870 tenha surgido músicas tipicamente brasileiras, como o maxixe, e a primeira canção oficializada carnavalesca do país: E viva Zé Pereira. O samba tem origem em antigos ritmos trazidos para o Brasil por escravos africanos. Alguns historiados afirmam que a palavra “samba” vem de “semba”, que significa “umbigada” ou “união do baixo ventre”, em dialeto africano. No século XIX, tais ritmos africanos sofreram uma mistura com a polca, habanera e do maxixe e choro, chegando ao Rio de Janeiro nas vozes das baianas que ali foram morar.

ANTIGAS BRINCADEIRAS

No carnaval do início do século passado, as brincadeiras mais comuns eram as brigas com ovos, limões, água e farinha e bombas de cheiro, tradições já cultivadas em outros países. Até mesmo as senhoritas e a alta sociedade participavam, das varandas das casas, nas quais moças vistosas eram vistas jogando ovos e bombas de cheiro nas pessoas que passavam nas ruas.

FANTASIAS

As fantasias encantam e embelezam essa festa de reconhecida alegria e divertimento. Entre as mais comuns e conhecidas, no início da folia no pais, estavam a caveira, o velho, burro, doutor, morcego, diabinho e diabão, pai João, príncipe, mandarim, rajá, marajá e a morte. Fantasias clássicas, da commedia dell´arte italiana, como o dominó, pierrô, arlequim e colombina também se destacavam. O uso de fantasias teve mais de 70 anos de sucesso no Brasil, de 1870 até 1950, com o início do declínio estimado por volta de 1930. É divulgado que os motivos principais para o fim do uso de fantasias foram o encarecimento dos materiais usados para a sua confecção e a falta de liberdade nos movimentos, bem como uma fuga ao calor do período mais quente do ano no hemisfério sul. Entretanto, outros fatores são culturalmente obervados por historiadores, como a repressão em relação aos criminosos que, aproveitando-se das máscaras, furtavam e roubavam os demais foliões, misturando-se facilmente aos demais mascarados nas ruas e avenidas. Prova disso são artigos de jornais da época, coletados por pesquisadores e inúmeros boletins de ocorrência, resgatados em estudos acadêmicos.

MANIFESTAÇÕES DE MOMO

Três das formas mais conhecidas do carnaval de antigamente são o Corso, Entrudo e o Zé Pereira.

CORSO – Caracterizado pela batalha de confete e corsos, que deram vida ao carnaval de rua. Nesse movimento, era obrigatório a presença de confete, serpentina e lança-perfume. A moda do corso foi introduzida após a chegada dos automóveis, tendo seus momentos de glória entre 1928 e 1940. O corso se tratava de uma passeata carnavalesca de carros de passeio conversíveis, muito comuns na época. De capota arriada e enfeitados de panos coloridos e bandeirolas, os carros eram lotados por famílias e grupos de foliões, sobre

Desfile de carnaval sobre os carros da época

tudo por moças fantasiadas de saias bem curtas, que cantavam e jogavam serpentinas e confetes nos pedestres, que se amontoavam nas beiras das calçadas para ver o corso passar.Trata-se da reprodução de uma brincadeira européia e seu intuito de remeter à elegância e à distinção de foliões que se espelhavam em Veneza, em pleno verão carioca.

ENTRUDO – Bem mais antigo, o entrudo foi importado dos Açores e é tido como o precursor do carnaval. É marcado por um conjunto de brincadeiras e folguedos realizados quarenta dias antes da páscoa. Era a forma mais generalizada e popular de brincar no período colonial e monárquico. Entretanto, suas brincadeiras eram compostas de difamações satíricas, tradicionais de outros carnavais, mas cuja prática manteve-se também sob outra forma, sobretudo na ofensa direta de um mascarado ou um grupo deles contra alguém. Outras brincadeiras populares eram lançar sobre os outros foliões os tradicionais limões-de-cheiro, ou limões de cera. O entrudo não era bem visto na sociedade. Um dos motivos advém do uso de máscaras e fantasias nas folias: o quê se esconde atrás de uma máscara? Apesar das máscaras esconder a identidade individual, ela não apagava o status social. Todos, no entanto, se divertiam em indagar aos passantes sobre sua identidade oculta.

ZÉ-PEREIRA – Havia o costume de se prestar homenagens galhofeiras a notórios tipos populares de cada cidade ou vila do país durante os festejos de carnaval. No Rio de Janeiro, o mais famoso tipo carioca foi um sapateiro português chamado José Nogueira de Azevedo Paredes, introdutor, em 1846, do hábito de animar a folia ao som de zabumbas e tambores, em passeatas pelas ruas, como se fazia em sua terra. O Zé Pereira teve grande fama no fim do século XIX, quando a comédia O Zé-Pereira foi encenada por Vasques, que elogiou a barulhada na qual se propagava os versos que o zabumba cantava: “E viva o Zé-Pereira/Pois que a ninguém faz mal/Viva a Pagodeira/dos dias de carnaval. No início do século XX a percussão do Zé-Pereira cedeu a vez a outros instrumentos como o pandeiro, o tamborim, o reco-reco, a cuíca e o triângulo.

Mas quaisquer que sejam os tipos de graças realizadas pelos carnavalescos, vale as palavras de Maria Clementina Pereira Cunha, estudiosa sobre o tema: “Não há outra saída: significados pertencem a seus respectivos tempos e sujeitos, e só podem ser buscados na história”.

O Carnaval é hoje uma festa popular das mais conhecidas e difundidas pelo mundo, seja pelo status que alcançou no Brasil, com seus enormes desfiles, seja pela tradição em vários países europeus. Entretanto, é no Rio de Janeiro que a tradição se renova a cada ano, sendo considerada a capital mundial do carnaval. Seus desfiles são retransmitidos pelos canais de TV´s em todos os países do globo, tendo o “sambódromo” como palco dessa festa. Concebido em 1982, por Oscar Niemeyer, a Marquês de Sapucaí, carinhosamente apelidado de sambódromo pelo professor Darcy Ribeiro, foi inaugurado dois anos mais tarde, com capacidade para mais de 88 mil pessoas. Com 590 metros de comprimento, é sem dúvida a passarela mais conhecida e desejada das festas carnavalescas e a de maior representatividade do Brasil.

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